
Ontem aconteceu o tão esperado leilão da Christie’s. A coleção de Yves Saint Laurent foi vendida e alcançou o total de 470 milhões de dólares. Isso mesmo! Uma tela de Matisse foi arrematada por 36 milhões de euros. Para quem não sabe a Christie’s é quem “inventou” o termo arte contemporânea, digamos para facilitar os negócios dividindo a produção artística em períodos. Claro que este leilão não teria tanto sucesso sem uma grande campanha publicitária em revistas especializadas e televisão.
Outro dia lendo Affonso Romano, encontrei um trecho que dizia: “Não se pode entender a ‘arte contemporânea’ sem passar pela livraria e pela bolsa de valores. Pela livraria, porque essa arte se quer ‘conceitual’, e portanto, é um ramo da literatura com pretensões filosóficas. Pela bolsa de valores porque mais do que nunca, a sua chave de explicação passa antes pelo mercado que pela estética.”
Quero antes de continuar, agradecer contribuição do artista Iran do Espírito Santo no comentário do post anterior. Agora vejo que a arte contemporânea realmente se aproxima do público!
Acho difícil discordar de Adorno pois ele já dizia claramente que a produção artística é controlada pelo mercado. Para não deixa-lo só nessa Anne Cauquelin em seu livro “Arte contemporânea: uma introdução” (Martins), mostra como o mercado domina a arte com o fim do academicismo. Também o brilhante livro “As regras da arte de Pierre Bourdieu” (Cia. das Letras) e “A Arte da desaparição” de Jean Baudrillard (Ed. UFRJ), complementam a discussão entre arte e mercado.
O que entendo bem é que não existe ato desinteressado. Claro que o artista deve vender seu trabalho, mas o lucro não pode ser sua motivação.A questão dos músicos que protestam e vendem seu produto é interessante. Em primeiro lugar, ainda não vi nenhum deles gravar musicas de protesto contra as gravadoras que por sua vez ganham milhões. Se eles protestam é porque o protestar lhes é conveniente e com certeza tem mercado garantido. Pode acontecer que a princípio não seja esta a intenção, isto até o mercado absorve-los como aconteceu com o movimento punk ou o Hip Hop nos Estados Unidos e também no Brasil. A partir de então a indústria cultural passa a forjar o protesto que neutralizado já não tem sentido algum se tornando um tipo de arte ingênua. De protestos assim o Artprice está cheio! http://web.artprice.com
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